sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A chuva entristece

Ela passou em frente a casa dele e viu a janela aberta. A janela do seu quarto, que ela conhecia bem. Ficou com vontade de chamá-lo, só pra vê-lo, mas não conseguiu. E era sempre assim que ela se comportava, como se não o conhecesse. Coitada, sofria com isso, sentia um aperto no peito.

A menina começou a chorar, a soluçar. Sentou num banquinho da praça, o melhor lugar pra continuar vendo aquela janela. Ficou pensando nele, nas coisas que estava fazendo e em quem pensava. Ela sabia que ele não estava pensando nela, aquilo era óbvio. Quanto mais pensava assim, mais dor sentia. Era uma dor estranha, forte demais pra ser controlada por qualquer um. E, por incrível que pareça, ela tentava acabar com a dor, com a saudade. Conhecia pessoas novas, conhecia outros homens e se envolvia com eles, mas em vão. No fundo, sabia que aquilo de nada adiantaria, porque ela amava o homem que sempre esquecia a janela aberta.

Começou a chover, mas não o suficiente pra tirar a menina do banquinho. Ficou ali, não estava se importando com as roupas molhadas ou com uma gripe que pudesse pegar. Gostava de sofrer, de ficar olhando a janela e pensando nele, pensando nos bons momentos que passou ao lado dele e como tudo aquilo terminou. Ela o amava como nunca amou, mas já não tinha a mesma coragem e disposição para conseguir o homem de volta.






Ele sabia de todo o sofrimento da menina. Ele sabia que ela o amava, o desejava. Ele sabia que ela queria ser dele. Ele sabia de tudo e não fez nada.
Ele a amava e não fez nada.

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